quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Caminho do Meio

Buddha nos presenteou com este maravilhoso insight sobre como atingirmos a paz interior: seguir o Caminho do Meio. Mas será que sabemos o que é isso? Na correria diária do mundo em que vivemos temos mesmo condições de trilhar este caminho?

Para chegar até aqui onde estamos passamos por um árduo caminho de amadurecimento. Tivemos muitos bons momentos na nossa vida mas os maiores aprendizados, aqueles que moldam nosso caráter, são sempre muito difíceis.

Temos uma idéia muito clara sobre o que queremos e de repente algo acontece e percebemos que aquela não era muito bem a melhor opção, que talvez devêssemos pegar um pouco mais leve, aprender a perdoar, sermos mais gentis ou mais perseverantes, a nos valorizarmos mais, mil aprendizados nos esperando em cada etapa de nossa vida sempre que estivermos tendendo a um extremo da dualidade, nos desviando do Caminho do Meio.

Cansados das duras lições, vamos assimilando o que significa trilhar este caminho. Porém podemos facilmente pensar que estamos nele quando na verdade estamos caminhando em falso, presos em alguma zona de conforto, acreditando piamente que a vida é perfeita daquela forma e esquecendo-nos da impermanência de todas as coisas, até que outro susto nos impulsione novamente a procurar a paz de outra maneira.

Este caminho falso é comumente trilhado quando confundimos o Caminho do Meio com “o caminho da média”. Oscilando entre os dois extremos não estamos no meio, mas na média. Levar uma vida meio saudável meio junk não é estar no meio. Meditar de vez em quando e ter outra atividade mental totalmente alienante não é estar no meio.

O verdadeiro Caminho do Meio é o caminho da neutralidade. Não sermos ativos nem passivos, mas não-reativos. Assim, estaremos no Caminho do Meio tanto no nosso escritório quanto no Tibet, sem nos identificarmos com nenhum extremo, seja ideal ou emocional, em qualquer lugar ou atividade em que nos envolvemos.

Com o tempo, tal prática nos conduzirá por caminhos mais amenos, alegres e harmônicos, sem que precisemos nos preocupar exatamente com qual filosofia estamos seguindo.

Sem julgamentos que nos prendam a emoções ou idéias, permanecemos em nosso centro, na paz de nosso coração. A neutralidade é o primeiro passo para atingirmos o amor incondicional, momento quando veremos Deus em tudo o que há.