sábado, 6 de julho de 2013

Enquanto buscamos algo...

Enquanto buscamos algo, a vida vai passando.

Tudo bem, não há julgamento, não há um certo ou um errado. Podemos vivenciar o que quisermos, é para isto que serve a matéria. Uma energia altamente reflexiva e moldável, estamos aqui experimentando a nós mesmos. 

Esta eterna busca é gerada por um vazio interior totalmente ilusório, nós o inventamos e o aumentamos a cada dia na medida em que definimos coisas e situações para preenchê-lo. É um círculo vicioso, não se sabe o que começou primeiro, o vazio interno ou o a busca por algo externo. Buscamos fora para não olhar para dentro, criamos também um medo para nos sabotar nisso. E assim vamos alimentando-o, querendo e desejando, presos neste ciclo. 

Damos características emocionais às coisas, damos poder a elas. Criamos modelos cênicos de perfeição e colocamos nossa felicidade na realização deles. Dizemos que isto ou aquilo nos fará feliz, que aquilo nos preencherá, mas só por enquanto... Só até descobrirmos que aquilo que alcançamos não era bem como a gente pensava.

Todo medo, falta ou limitação vem da crença de que estamos separados de Deus. E a liberdade na matéria é tanta que há ainda aqueles que buscam a Deus, como um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Deus já está 100% conectado conosco, não tem como nos conectarmos mais ainda. É muito difícil aceitar isso, pois acreditamos demais nos personagens que criamos, que somos impuros, que não somos dignos, que não somos parte dEle. Achamos que Deus está tão longe que quando o descobrirmos será algo tão fantástico como anjos tocando trombetas ou aparições em meio a raios e trovões. Algo que não nos deixará dúvidas de que é Deus mesmo que está ali vibrando na gente.

Isso é até um pouco frustrante, mas não é desta forma que Deus se apresenta. Ele se apresenta quando simplesmente acreditamos que Ele já está aqui. Quando aceitamos a perfeição que há em nós. Quando paramos de nos achar abandonados, errados ou culpados e amamo-nos incondicionalmente. Quando entendemos que cada átomo da Criação é parte dEle e, por isso, Ele também está em nós.

Nosso ego/personagem busca sempre por um propósito, é como ele funciona. Busca dentro de sua ilusão de separação recriar a própria conexão perdida. Mas quando damos um passo para trás e nos colocamos na posição de observador, podemos perceber que não somos este personagem medroso, carente e limitado. Observe na natureza, como tudo vive e floresce em harmonia e equilibradamente... Nada ali tem um propósito individual, apenas existem e vibram no êxtase da Unidade, no aqui-agora.

Nós não temos um propósito “profissional”, religioso, artístico ou tampouco recreativo, nós simplesmente existimos. E somos muito mais livres do que pensamos. Para o ego esta é uma constatação aterrorizante, é a perda do poder, sua morte. 

A realização é interna e tem mais a ver com aceitar inteiramente o momento presente do que com o cumprimento de algum propósito, com ser ou fazer. Quando a gente aceita a gente já É. Quando a gente pensa e analisa sobre o que a gente É imediatamente já baixamos a consciência para o nível do personagem e deixamos de Ser, voltamos novamente apenas a “ser algo”, julgado e rotulado pelo ego, nada mais que um modelo, um propósito.

O que fazem os desejos e suas buscas senão nos iludir com a perfeição de um porvir que nunca chega? Não existe nada no futuro que um dia satisfará o ego humano. 

Ao deixarmos de lado a eterna busca, podemos escolher ser feliz no aqui-agora. A pergunta que sempre me faço é "por que estou escolhendo sentir tal coisa agora? Por que não estou escolhendo ser feliz agora?" A resposta já é a própria constatação de que tudo aqui é escolha nossa e de que a realização está no momento presente. 

Tudo na Criação é em sua essência amor incondicional e consequentemente perfeito, por isso somos apoiados em todas as nossas escolhas, sejam elas expressadas conscientemente ou não. Aqui toda crença individual ou coletiva é vivenciada.

Para o Universo não existe "isto sim", "aquilo não". Só existe "sim" e "sim". Pensou, sentiu, imaginou, lembrou, focou, analisou, criticou, gostou ou negou, pronto, já está incluso em nossa realidade. E quanto mais emoção colocarmos em cima disso, seja positiva ou negativa, mais rápido isso irá se moldar na matéria.

Se não nos damos o devido valor, ninguém nos dará. Se enxergamos apenas o que nos falta, mais coisas nos faltarão. Se acreditamos que vida é ruim, então assim será. Tudo o que encontramos em nosso caminho são apenas constatações daquilo que já vibramos.

Conhecem a história dos três macacos sábios, um tapando os olhos (Mizaru), outro os ouvidos (Kikazaru) e outro a boca (Iwazaru)? Representam não ver o mal, não ouvir o mal e não falar o mal. Não é uma busca, é uma prática até o momento em que vira um hábito. É a prática de arrancar o mal de nossa realidade e escolhemos conscientemente viver o bem, a alegria, a leveza, a paz, a gratidão, o perdão, a aceitação, a pureza, o amor etc. Simplesmente recusar o que nos tira de nosso melhor e pronto, o Universo se encarrega de manifestar esta mudança em nossa realidade.

Tudo em nossa vida grita cada vez mais alto para que despertemos para quem realmente somos, para assumirmos o poder, a sabedoria e o amor Divinos que existem em nós. E só seremos capazes disso aceitando incondicionalmente o aqui-agora e nos libertando das necessidades ilusórias e do vício em satisfazê-las. Então poderemos em paz observar a perfeição que existe dentro de nós e como ela sempre esteve presente no mundo. É a constatação última de que nós e Deus somos Um.

Um dia cada um de nós olhará para sí mesmo e dirá “Meu templo é o Meu coração e através dele chego ao Pai. Meu coração é o Caminho, a Verdade e a Vida”.