sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Amadurecendo e mudando com a vida

Que a infância é a parte mais maravilhosa de nossas vidas isso ninguém duvida... e o quanto ela passa rápido todos temos certeza. Talvez seja por isso que tentamos até o último suspiro de nossas vidas carregarmos conosco partes dessa época tão boa, tão espontânea e livre de preocupações. Alguns aspectos deste período são muito importantes, senão essenciais para uma vida saudável: a pureza, a brincadeira, a capacidade de sonhar, o dom de contornar obstáculos deixando que a imaginação nos guie até o próximo sorriso.

Porém, como não podia deixar de existir, há o outro lado da moeda, as partes não tão boas que resistimos em deixar e que nos atrasam e restringem nosso aproveitamento total do momento presente, com todas as ferramentas potenciais que trazemos e em perfeita integridade. São elas as nossas feridas, aprendizados e desejos mal resolvidos, resquícios da infância e adolescência que ainda precisam de resolução, cura e encerramento.

Quantas vezes não ouvimos alguém ou nós mesmos nos pegamos dizendo que as coisas poderiam ser mais fáceis, reclamando da família, do chefe, do governo ou até mesmo de Deus, que não correspondem às nossas expectativas ou que tudo deveria ser diferente. O que não queremos enxergar é que não são as coisas que tem que mudar, mas nossa postura em relação a elas. Amadurecimento é mudança.

Quando crianças, nossos pais é quem representavam a provisão e também o controle. Através deles recebíamos ou não aquilo que queríamos. Quando não correspondida a criança chora, fica brava e a sua maneira contorna a situação. Com o adolescente ocorre a mesma coisa, porém contra todo um sistema. Se identificam com os grupos e através deles tornam-se os desbravadores que com sua revolta desenvolvem a força para criarem a própria identidade.

Independentemente da idade, a verdadeira vida adulta se inicia então quando a pessoa consegue pegar esta energia da braveza infantil e da revolta adolescente e transformá-la em poder pessoal, na força necessária para assumir a responsabilidade por tudo o que está vivenciando negativamente em sua realidade e transformar-se naquele que é capaz de mudá-la. 

Não existe nada mais poderoso em todo o universo do que a vontade do ser humano. O adulto íntegro e consciente é dotado de poder infinito. Aquele que ainda reclama e queixa-se das dificuldades ainda não é um adulto completo. Aquele que espera que as coisas mudem ainda coloca o poder fora de si, sentindo-se atado a limites imaginários, desculpas que arruma para não assumir o pleno poder e potencial que traz consigo.

O maior medo do ser humano é o medo do próprio poder, de sua própria força e grandeza. Por isso também a dificuldade de elevar a consciência acima do terceiro chakra. A origem disso vem de outros tempos, antigas civilizações que já pertencemos e por abusos deste poder termos causado sua completa destruição. Por isso ainda hoje manifestamos governos e religiões que nos oprimem e agem como se fossem nossos donos. Também sabotamos nosso poder através da culpa e da teimosia em realizarmos tudo do nosso jeito, de maneira que não precisemos confrontar nossos medos e feridas. Temos uma dificuldade imensa em lidar com os aprendizados que a vida nos traz e que nos levariam diretamente a vida adulta, ao nosso pleno potencial. Somos resistentes demais em mudar nosso pontos de vista.

Nada na vida acontece por acaso, nada na Criação existe sem um propósito. E como estamos em uma realidade dual, tudo tem uma interpretação negativa e outra positiva. Adotando a negativa como a nossa verdade nos manteremos resistentes, presos às nossas feridas. Mas ao olharmos tudo positivamente, logo assimilamos a mensagem que as experiências nos trazem, permitindo-nos assim subirmos mais um degrau em nosso crescimento.

Tudo na Criação é feito de forma perfeita e em harmonia com tudo o que há. Portanto não há o que temer, o poder e nosso pleno potencial serão assimilados na medida em que estivermos prontos para usá-lo. Quando tivermos completado o aprendizado atual e enxergarmos as coisas como elas realmente são, nosso próprio Eu Superior se encarregará de nos apresentar o próximo degrau de nossa escalada. A transformação da nossa realidade começa então com a aceitação da mesma.

Temos muito forte dentro da gente este conceito de “Eu Sou”. “Eu sou isso, eu sou de tal forma”... nossa identidade foi criada a partir de imagens e julgamentos e assim vamos construindo moldes energéticos e dificultando cada vez mais nossa passagem de fase, nosso amadurecimento. Deixar para trás um molde e um “Eu” conhecido pode ser muito difícil, principalmente com os medos e perigos imaginários que nosso próprio ego cria para proteger seus personagens. Existem aspectos de nossa personalidade responsáveis por nos proteger de feridas muito profundas e dolorosas para permitirmos um possível retorno delas à nossa consciência. Mas existe uma forma mais fácil e rápida para nos tornarmos aqueles que preferimos ser.

Formamos nossa identidade a partir de experiências de muitas vidas, vamos trazendo conosco vibrações que acumulamos e que na vida atual manifestam-se logo a partir do momento que fomos fecundados. Nosso espírito é ligado ao corpo físico no 49º dia de gravidez, quando a glândula pineal é formada. A partir daí nossa energia se liga mais fortemente ainda aos nossos pais, manifestando neles algumas mudanças e a partir deles absorvendo informações de “como é a vida”. Dessa forma, ao longo de nossas vidas vamos manifestando experiências e observando, julgando e assim nos definindo, sempre a partir de um ponto de vista limitado ao que vemos fora da gente.

Nesta etapa evolutiva que estamos entrando, temos condições de mudar certos hábitos e assim nossa própria identidade sem a necessidade de nos aprofundarmos em vidas passadas, infância, adolescência ou qualquer outro tempo onde, por causa de dores e feridas, determinado aspecto parou de crescer. O astral inferior já foi dissolvido e as fontes do aprisionamento desativadas (por isso o povo está saindo às ruas!). Apenas algumas egrégoras negativas e confinadoras ainda existem, mas na medida em que pararmos de as alimentarmos também serão desmanchadas. O poder e a responsabilidade agora está nas mãos de cada um de nós, mais do que nunca cada um é responsável pela própria realidade.

Tudo o que vibramos está conosco no aqui/agora. Neste exato momento, mesmo sem consciência de nossa totalidade, é com todo o nosso Ser que manifestamos a nossa vida. Portanto tudo o que precisamos fazer para manifestarmos a realidade que preferimos é não resistirmos às mudanças, prestarmos atenção em como estamos vibrando (através de nossas emoções) e escolhermos deliberadamente como queremos nos sentir a respeito de cada uma delas, de cada assunto que desperte desconforto. Ao identificarmos algo que nos desagrada, podemos escolher a nova frequência que substituirá a ferida, o desalinhamento com nosso Ser. Dessa forma séculos de criações negativas são dissolvidos em um único insight de consciência.

A nova identidade do ser humano não será mais baseada em fatos, julgamentos e imagens, mas em valores absolutos como abundância, paz, pureza, alegria, poder, coragem, amor e fé. “Eu Sou tudo isso e assim deixo-me fluir na criação, dançando conforme a música e a partir dos contrastes e aprendizados escolhendo as músicas que mais me agradam”. 

Sempre haverá individualidade, a autenticidade que cada um traz consigo, a infinidade de pontos de vistas diferentes tão essenciais para a expansão da Criação. Mas temos agora a opção de não vivenciarmos mais aspectos de personalidade baseados em feridas, simplesmente aceitando o fim das ilusões de como a vida deveria ser de forma que nós não precisemos mudar. Crescer sem mudar é uma ilusão infantil. Realizar sonhos sem uma mudança interior só mesmo em contos de fadas. 

Dito isso, entendemos o que são os milagres: adaptações de nossa realidade física em resposta a uma grande mudança interna, certa e decisiva. A vida é feita de infinitos pequenos milagres a cada segundo, a cada momento. E, na medida em que nos tornamos adultos e integramos toda a potencialidade de nosso Ser, vamos nos capacitando a direcionar e perceber estes milagres acontecerem mais e mais frequentemente, representando mudanças cada vez maiores e mais significativas em nossa vida.