quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Relaxe em seu coração!

Nosso caminho é mesmo cheio de surpresas... e não há um só momento na vida sem propósito. Quando algo interessante está acontecendo dizemos que “estamos vivendo”, quando algo que rejeitamos está acontecendo dizemos que “estamos aprendendo”, mas todas estas interpretações são só maneiras da mente se sentir no controle da situação, ela analisa, julga, rotula e assim acredita-se na posse e controle da vida.

Há no entanto momentos onde a mente se sente em um deserto, quando alguma fase já se encerrou e parece que ainda não entramos na outra, não há o que fazer e a mente fica perdida. Nestes momentos quando achamos que estamos no vazio, isso também são só interpretações da mente.

Na busca por uma vida melhor vamos passando por diversas fases de amadurecimento e realização: o físico e a sobrevivência, o emocional e a absorção das coisas boas da vida, o mental e nossa ação positiva na vida e finalmente o espiritual e nossa integração com a vida. O curioso nisso é que quando a parte terrena não nos satisfaz mais e partimos conscientemente para uma busca espiritual ainda é nosso ego que está no comando, o mesmo personagem e seus aspectos que buscavam se dar bem nas outras fases de amadurecimento. Então mentalmente, com os mesmos mecanismos de controle e escolha de sempre, forjamos nossa personalidade no que chamamos de “ego espiritual”, aquele que se satisfaz “espiritualmente”, criando para si um novo paradigma de experiência e realização.

Frequentemente nos momentos ruins quando nosso ego espiritual assume o personagem central e busca as causas de estarmos sofrendo e rejeitando tão fortemente aquele momento, ainda conseguimos encontrar uma historinha que justifique a lição e assim voltar a ilusão de controle da mente: “como estou vibrando para ter manifestado isso?” é o que nos perguntamos. São momentos quando a vida nos escancara que não estamos no controle e a mente tenta desesperadamente nos trazer a paz de espírito que ansiamos. Porém tudo ilusório, tudo criação mental. O sofrimento é uma criação mental, a solução é uma criação mental e seu alivio também é uma criação mental. A paz gerada pela mente é somente uma situação onde todas nossas análises e julgamentos conscientes e inconscientes dão resultados positivos.

A paz verdadeira que buscamos está e sempre esteve presente por trás do mundo dos acontecimentos. A mente não tem como perceber esta paz, pois a paz da mente só acontece quando ela considera um momento perfeito. Ela precisa estar no controle e aprovação de tudo para encontrar a perfeição de acordo com sua interpretação do que é bom ou ruim, sempre de acordo com o que já aprendeu e rotulou da vida. Assim ela encontra sua perfeição, sua paz, a sua ideia do que é ser espiritual.

A espiritualidade no entanto vai muito além da mente e suas interpretações. Não há nada em toda a Criação que não seja espiritual. A matéria é espiritual, o emocional, o mental, tudo é espiritual. Não são só as emoções boas como o amor e a alegria que são espirituais, o medo, a raiva também são, todas são. O espírito abraça toda a matéria com todas suas características junto, as boas e as ruins também.

O frágil equilíbrio que a mente é capaz de criar para si desmorona na primeira interferência do externo que ela deixa passar. A vida estará sempre manifestando alguma situação para nos mostrar nossas partes que na busca por uma perfeição espiritual imaginada buscamos esconder de nós mesmos. Toda dor, revolta, frustração, tristeza, raiva, vergonha e outras sensações que sentimos mas consideramos ruins ou “não evoluídas” estarão constantemente nos sendo apresentadas até que as aceitemos como parte de nós. Rejeitar uma emoção é o mesmo que rejeitar a parte nossa que a está emitindo. Mesmo os momentos de “vazio” são para nos mostrar o quando a vida centrada na mente é vazia, sem sentido.

Buscar o sentido da vida nas interpretações da mente é ser incompleto e sofrer. A mente sempre tentará sentir apenas o que ela quer. A paz e completude vem da aceitação integral de quem somos.

Todos temos uma programação em comum que é "evite a dor a qualquer custo" e assim vamos encobrindo e acumulando tudo o que não gostamos de sentir, o que tememos, o que temos vergonha e rejeitamos. Essa aliás é a base da matrix que estamos saindo, a da tirania do mental sobre o emocional que nos diz o tempo todo como temos que ser e o que devemos sentir. Essa é também a única razão pela qual temos tantas dificuldades na nossa vida, pois se sentíssemos as emoções sem rejeitá-las na hora que elas aparecem pela primeira vez, nós não a esconderíamos dentro da gente e não haveria necessidade de permanecermos manifestando-a repetidamente em nossa realidade.

Todas as coisas ruins que vivemos são chamados de nossa criança interior ferida que precisa de nossa atenção e reconhecimento. Então chega um momento que nosso reservatório chega no limite e começa a transbordar, é o momento de parar para ver o que precisa ser visto pois ficaremos neste constante limbo em que nada de novo acontecerá até que consigamos abrir espaço para isso. Não há mais espaço, não há mais forças para fazer tudo do jeito que o mental quer, temos que reconhecer a totalidade do nosso ser e amar tudo o que vínhamos escondendo da gente mesmo desde nossa criação. Quanto mais evitamos o sofrimento mais ele persiste.

As soluções propostas pelo mental são sempre as mesmas e sempre relacionadas com o externo: dinheiro, relacionamentos, distrações. Nos obriga a conquistar tudo aquilo que ele imagina que nos trará segurança e é claro, as distrações tão necessárias para quem se tortura nesta perseguição cega e absurda. O ego acredita-se no controle de tudo para evitar a estranheza que sentiu ao separar-se de Deus e entrar no corpo físico pela primeira vez. Julgando o ambiente inóspito e os outros como hostis, usa o mental como sua ferramenta para recriar externamente uma simulação da vaga lembrança que ele tem da Unidade, de seu tempo imerso em Deus.

O fato é que nunca nos separamos de Deus e qualquer ideia de separação inclusive entre nós mesmos não passa de uma falha em nossos mecanismos de percepção que de tanto dar poder ao mental já se esqueceu da Verdade de quem realmente somos. Nunca haverá aceitação de Deus enquanto houver a rejeição de um só aspecto de sua Criação. Nunca haverá aceitação do próximo se não houver primeiramente a aceitação de si mesmo. Por fim, nunca haverá autoaceitação se insistirmos constantemente que a perfeição é algo diferente daquilo que já somos.

Este retorno a Unidade começa então com a aceitação plena de tudo o que somos, o que significa a aceitação de todas as nossas emoções que temos rejeitado e escondido de nós mesmos. As raivas, as tristezas, as vergonhas, as culpas, as rejeições, a inferioridade e todas as outras possíveis. Sob estas emoções existem feridas que precisam ser reconhecidas e amadas para assim serem integradas. Unidade significa integração. Nunca estaremos completos se quisermos apenas sentir amor e alegria, todo repertório de emoções são criações Divinas e fazem parte da experiência humana. O segredo não é não é evitá-las, mas estar em paz com elas. São coisas da vida, elas vem e vão, a vida continua.

Então quando percebemos uma emoção que nos incomoda, o comportamento mais adequado é agradecer por ela, pois é algo que aflorou para revelar mais uma parte de nossa criança ferida que precisa de amor. A seguir pedimos a divindade em nosso coração por mais luz sobre aquele assunto para que possamos reconhecer e abraçar aquela parte que precisa de nosso amor. Se estamos com raiva, revoltados, tristes ou desiludidos não é o momento de nos rejeitar mais ainda, mas sim de nos amar o máximo que conseguirmos.

Quando alguma coisa internamente nos incomodar, sem rejeitar o momento centramos no coração e dizemos: “Eu Sou isso que estou sentindo agora”, com esta prática vamos diminuindo as resistências e amando cada partezinha que surge de nossas profundezas - isso se chama amor incondicional. A consequência disso é que não temeremos mais as emoções e todas as situações que a vida pode nos trazer - isso se chama liberdade. Só assim estaremos em paz e é só assim que seremos capazes de aceitar as situações e o outro como eles realmente são. As vibrações e comportamentos do outro que nos incomodavam não cutucarão mais em nossas feridas pois estaremos em paz com elas.

O coração está de braços abertos apenas nos esperando relaxar e aceitarmos o seu abraço. Para o ego esta entrega é temida como a morte, a perda de seu controle imaginário é encarada como a própria inexistência, se é que isso existe. É difícil para a mente entender que não há o que fazer, que não está em seu poder se iluminar. A iluminação vem da aceitação do que já É, da “Vontade de Deus” a cada momento.

Uma vez percebida a eterna paz que sempre esteve em nossos corações é que podemos compreender a verdadeira espiritualidade, a pureza e leveza de toda a Criação. Simplesmente todas as dificuldades que vivemos nunca tiveram o propósito de serem dificuldades, foi nossa mente que interpretou assim. O desconforto do ego era tão grande que empregamos todas as nossas forças na criação de uma realidade mentalmente aceitável, quando na verdade toda a perfeição já estava aqui. E para a mente cega de si mesma era necessário criar esta suposta perfeição externamente para que fosse apreciado pelos nosso cinco sentidos mais básicos. Dessa forma, quanto mais fortes e perseverantes somos mais resistência ao real nós geramos.

Com a aceitação incondicional do momento presente e de nós mesmos, pela primeira vez em nossas vidas estaremos completos internamente, não mais apoiados em ilusões e pré-requisitos externos para falsas seguranças. Seremos capazes ver a nós mesmos e ao outro como realmente somos, de amar verdadeiramente e permitirmos que o outro nos ame da maneira dele, sem exigências, posses ou suprimento de carências.

O mental deve ser doutrinado para isso, para ser o suporte necessário para que as emoções possam ser vividas em sua totalidade de maneira segura e pacífica. Este é o equilíbrio, o retorno ao coração que tudo acolhe, o princípio da nova era.

Que a paz esteja convosco! Eu vejo Deus em você.