domingo, 31 de janeiro de 2016

Obesidade e consciência


Foi pensando em minha circunferência que comecei a observar a importância que a aparência física ganhou no mundo atual. Principalmente entre os mais jovens mas também entre muitos dos mais “maduros”, ter um corpo esculpido com certas partes em evidência parece ter se tornado uma condição essencial para a vida, para o marketing pessoal e para sobressair-se em relação ao status quo do meio em que se convive. Não fosse isso, qual o problema de cada um estar de bem com as próprias formas sejam elas quais forem?

Em todas as épocas de nossa história tivemos nichos privilegiados da sociedade com condições de se preocupar com a aparência física, mas como sociedade nunca tínhamos experimentado os extremos de hoje. Claro que existe de tudo, mas em termos gerais, a moda por exemplo nunca esteve tão distante da elegância ou da sua função de apenas “vestir”. Se houve uma época quando a maneira de se vestir demonstrava hierarquia, o caráter ou intenções de uma pessoa, hoje a moda nos obriga a não julgar ninguém pelas aparências. Ainda que os cortes e estilos de hoje possam representar melhor o estado de espírito de cada um, a velocidade em que os aficionados pela aparência devem atualizar seus guarda-roupas para não entrarem em contato com a própria sombra é infinita. Este é o drama dos que tapam o sol com peneira, dos que acreditam que ser saudável é ter um abdome definido, que autoestima é vestir roupas de marca e que segurança é dinheiro no bolso: faltou um destes itens e suas máscaras e mundos desabam.

Há uma falsa noção de que aparência musculosa e alimentação para alta performance tem a ver com saúde. É claro (para quem pode ver) que toda esta exaltação da aparência está ligada ao comércio e ao consumismo, às inseguranças e carências afetivas, à sedução daquele que nos suprirá da energia que ainda não conquistamos sozinhos. Mesmo a ciência ainda não percebeu que o equilíbrio entre nossa consciência, o emocional, o mental e a natureza é o que manifestam no físico a saúde perfeita para cada indivíduo de uma forma diferente, considerando seu propósito na Criação, as condições da região em que habita e sua individualidade, a forma em que expressa seus dons e criatividade.

Esta mesma ciência que desenvolve shakes e anabolizantes, drogas que não visam a cura e cheias de efeitos colaterais, plásticas e outras criações para simular músculos, até estudos e pesquisas acadêmicas apenas focados em estética e hipertrofias, é altamente (senão unicamente) motivada pelo lucro: quem paga as pesquisas é quem escolhe seu propósito. Não é de se admirar então que grandes avanços em nossa tecnologia foram descobertos por cientistas de outras áreas, buscando soluções para certas questões encomendadas mas que se depararam com alguma novidade que pudesse ser utilizada para outros fins.

Há tempos que em nossa sociedade o corpo deixou de ser o invólucro da alma e se tornou mais um instrumento do nosso ego. É através das aparências que manipulamos a opinião alheia e que escondemos nossos medos, inseguranças, vergonhas, carências, tristezas, raivas autorrejeições etc. Mesmo para aqueles que não se importam com aparências ou que valorizam as qualidades e valores espirituais, o corpo ainda refletirá a imagem, crenças e programações inconscientes que temos a respeito de nós mesmos. Uma pessoa que não gosta de ser vista ou de chamar a atenção, que em um momento que inconscientemente seja interpretado como uma ameaça ou perigo prefere fazer-se de frágil para conseguir a compaixão do inimigo como estratégia para evitar a luta pode ter uma tendência para um corpo magro e sem atrativos, com pouca força ou vigor. Uma outra pessoa que nesta mesma situação tem como reação pré-programada correr, certamente terá o corpo propício para isso, também será magra mas terá porte mais atlético, é mais ágil, proativa e uma tendência a não enfrentar de frente os desafios da vida, mas buscando outras alternativas ao invés disso. Há também aqueles que escolhem ficar e lutar, estes tem uma tendência a ganhar massa mais facilmente, seja para enfrentar a ameaça através da força ou pelo menos para parecer maior e espantá-la. Costumam ter um comportamento mais explosivo, acumulam desprazeres e densidades emocionais com mais frequência até o momento que se saturam e permitem que seus aspectos feridos tão rigidamente controlados assumam o comando de suas ações.

De qualquer forma, está tudo certo, cada um vive em uma frequência e nível de consciência diferentes, assim como cada um tem um propósito para estar aqui. Por isso não podemos nunca relacionar a quantidade de gordura acumulada com nível de evolução (até porque a evolução não é linear, não tem um ”nível”), mas apenas com o tipo de experiência e de aprendizados que cada alma escolheu viver. Estar preso ainda na faixa da satisfação por suprimento energético externo conseguido através dos jogos manipulativos e de poder sustentados pela aparência faz parte do aprendizado da maioria das pessoas de nossa sociedade atual. Este é o próximo nível de aprendizado acima apenas daquele dos que ainda nascem em condições de miséria externa: é o nível da superação da miséria interna. Mas na prática isso só vira um problema quando a pessoa começa a comparar-se com outras, quando precisa “ser mais ou melhor que” para sentir-se bem consigo mesma e assim por diante. Quando suas almas acharem que é o momento, suas frustrações as trarão de volta aos trilhos.

A obesidade nos dias de hoje é uma condição que atinge quase metade da população mundial. Isto se deve ao fato de que atualmente a obesidade tem sido consequência dos desafios de muitas pessoas que já despertaram para frequências superiores, mas que estão em uma fase de confrontarem suas antigas programações e aspectos de personalidade ainda baseados nos chakras inferiores. A sensibilidade destas pessoas é maior, são mais “permeáveis” energeticamente ao meio em que vivem, sentem mais profunda e dolorosamente certas emoções e frequências mais baixas, isolam-se em vidas imaginárias para escaparem um pouco da realidade tão frustrante e aparentemente longe do ideal de suas essências Divinas, daquilo que suas almas já estão prontas para viver mas que a quantidade de antigos condicionamentos atuantes ainda as prendem nas relações desgastantes do mundo que conhecem. Por causa desta hipersensibilidade, negação ou rejeição da vida humana e constante foco apenas no espiritual é que muitos médiuns também estão nesta condição.

Para quem ainda não passou com a consciência do nível mental ao coração para sentir as dores de uma alma em desalinhamento com a personalidade, tudo segue pelo menos aparentemente bem. Esta pessoa só precisa um pouco mais dos outros, de tempo e de dinheiro. Este é seu objetivo nesta vida e não há nada condenável nisso, suas almas ainda estão experimentando isso agora.

Sendo assim, para aquele que já está em contato com seu coração e apto a viver de forma mais livre, abundante e plena, porém ainda está preso consciencialmente em algumas questões dos chakras inferiores, o desequilíbrio ou desconexão com a própria essência que faz com que engordem segue algumas das opções descritas abaixo:

1º chakra, o básico: questões de sobrevivência do corpo físico. Medos de ameaças de predadores, de intempéries, de escassez de alimento, não confia na provisão infinita. Desconexão com a Terra, sensação de não pertencer. Questões da vida intrauterina aos dois anos de idade mais ou menos.

2º chakra, o sexual (ou sacro): questões emocionais e de como absorvemos o mundo. Vergonhas, culpas, feridas emocionais, laços emocionais e sexuais, carências, apegos, traumas, imaturidades, falta de prazer na vida etc. Aqui é onde habita nossa criança interior, os aspectos de nossa personalidade que ficaram presos em situações de nossa infância.

3º chakra, o gástrico (ou plexo solar): questões mentais (programações e interpretações) e de nossa ação no mundo. Crenças limitantes a respeito de nós mesmos, questões de autoestima e de amor próprio, postura reativa em relação à vida, não saber dizer “não” ou dizer o que quer, ter medo de falar sua verdade, não impor limites a pessoas e situações abusivas ou invasivas, padrões de autocondenação e autopunição, autoanulação, tirania, rigidez e proibições, obrigar-se a obedecer imposições religiosas, da família ou sociedade que não condizem com as inspirações da própria alma, orgulho e vaidade, falta de autoconfiança, autossabotagens, falta de ação e de atitudes de qualquer natureza.

Todos estes aspectos, sejam eles conscientes ou não, podem fazer parte dos fatores multidimensionais que levam a pessoa a engordar. Os maus hábitos alimentares e o sedentarismo são apenas efeitos das causas emocionais e mentais descritas acima. A preferência por determinado alimento e a opção por “economizar” movimentos físicos são consequências de uma postura consciencial e alinhamento energético que o obeso não tem. O obeso tem uma tendência a viver mais no plano mental que no plano da ação, por isso seu metabolismo e sistema endócrino trabalharão para protegê-lo e compensar seus desequilíbrios energéticos vindos deste plano.

Cada região que o corpo tende a acumular gordura representa uma característica ou aspecto específico do nosso comportamento e personalidade. Rosto, pescoço, braços, mamas, barriga, coxas, pelve, bumbum etc., cada porção de gordura acumulada representa um registro, uma emoção, crença ou programação armazenada. A cura então nunca pode ser apenas remédio, dieta e exercícios, quem focar neste nível apenas continuará com os mesmos problemas de sempre, agora acrescidos de um tremendo esforço para manter-se motivado a vida inteira, correndo o sério risco de engordar novamente a cada oscilação de vibração, a cada tentativa de sua alma de revelar algum padrão inconsciente que precisa de cura.

Nossos dons espirituais e potencialidades estão todos escondidos em nossa sombra atrás de nossas vergonhas e limitações, das dores e emoções que não queremos ver, das inferioridades que queremos esconder e dos medos que não podemos nem pensar em lidar. Por isso digo que obesidade é o desafio mais completo e cuja verdadeira cura (e não só a mudança de aparência) mais nos aproximará da vida centrada no coração, de nossa essência divina, de quem verdadeiramente somos. Ela traz consigo aprendizados e superações em todos os aspectos de nossa vida prática, sendo necessária esta reforma interna e mudança geral de postura de vida para sermos vitoriosos nesta questão.

Dar este passo com confiança e perseverar neste propósito de autotransformação a partir do contato consciente e da correta relação com as causas de nossas insatisfações e limitações que tanto tentamos esconder é o caminho para o desenvolvimento e assimilação das qualidades e potenciais mais elevados de nosso ser. A paz e segurança da Terra que nos ampara, a confiança na provisão infinita, a integração e amadurecimento de nossa criança interior, a positividade e pureza em nossas relações com o próximo e com nós mesmos, o amor próprio, a autoaceitação incondicional, a proatividade, a ação consciente alinhada com nosso próprio ser e o consequente encurtamento da distância entre o coração e a ação são as condições estruturais fundamentais para o completo ancoramento da alma no físico e da vida centrada no coração. Sem a postura e alinhamento corretos dos chakras inferiores a consciência não se sustenta na realidade abundante e unificada do coração, tampouco somos capazes de suportar os níveis vibratórios do Altíssimo.

Neste caminho de autodescobrimento e de cura através do amor e aceitação incondicional de quem somos, vamos tomando consciência e levando luz a todos os aspectos inconscientes de nosso ser. A obesidade então é uma oportunidade, uma bênção, uma forma do universo nos mostrar o que está em desalinhamento, de nos direcionar para o propósito de nossa encarnação e nossa ascensão. A recompensa é ter as rédeas da própria vida, estar em paz, viver o amor incondicional, a plenitude e a liberdade de ser quem verdadeiramente fomos Criados para ser.

Está bom assim ou quer um shake?

Namastê!

Rodrigo Durante
www.rodrigodurante.com.br